A íntima relação entre a maternidade e o luto
- Ana Clara Vidal
- 8 de set. de 2024
- 1 min de leitura

Todo luto está relacionado à perda de algo muito caro e importante. Ao contrário do que se pensa, nem sempre o luto será originado da perda de uma pessoa. Pode ser de um trabalho, um sonho, uma posição.
Os lutos maternos reais - a perda de um filho nascido ou no ventre- são facilmente detectados pela configuração de uma perda concreta.
Mas existem os lutos simbólicos - aqueles que não são palpáveis, não são materais - que são difíceis de entender e identificar, até porque quase ninguém fala sobre eles.
TODAS as mulheres passam por um luto simbólico, em maior ou menor grau, mesmo diante de uma maternidade planejada, saudável e rodeada de apoio.
Essa perda simbólica se encontra na perda do controle do seu próprio corpo, nas ressignificações dos papéis de esposa e profissional, na crise identitária que todo o processo da construção da maternidade envolve, na renúncia de muitos desejos e planos e até mesmo a renúncia da sua posição de filha. É a sensação de estar perdendo uma parte de si mesma.
Toda a maternidade, portanto, não é totalmente aceita ou totalmente rejeitada. Ela envolve uma série de adequações e desejos contraditórios que culminam em escolhas e renúncias.
Entender e aceitar o luto simbólico que a maternidade pode trazer é importantíssimo para que as mulheres consigam se libertar das amarras das culpas, sabendo que o luto é um processo saudável de elaboração de perdas que todos os seres humanos estão fadados a passar pelo menos uma vez na vida.
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Ana Clara Vidal - Psicanalista
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